Cadeira de barbearia (hidráulica)
Alumínio, plástico e couro
Inícios do Século XXI
“Perdigão Cabeleireiros”
Com origem em finais do século XIX, estas carismáticas cadeiras têm evoluído juntamente com a nossa sociedade. Os seus primeiros exemplares eram “monstros” de ferro fundido e/ou madeira. Hoje em dia usam-se metais leves, e ligas plásticas, e as cadeiras são esteticamente agradáveis. Contudo mantêm quatro características intactas desde a sua criação, o apoio superior para a cabeça, o apoio inferior para colocar os pés, o facto de estarem fixadas ao chão e poderem rodar por si só. Porém hoje em dia, além dessas funções, foram adicionadas mais umas quantas, como por exemplo, poderem ser inclinadas para trás, subir ou baixar, aquecimento nas costas e assento, entre outras funções que vão sendo progressivamente colocadas nestas particulares cadeiras. Tudo isto para quê? Simplesmente para facilitar o corte de cabelo ao barbeiro, ou cabeleireiro, e dar a máxima comodidade ao seu cliente.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
UMA CADEIRA PARA PENSAR
Cadeira de canto
Madeira de Nogueira, Seda lavrada
Meados do século XVIII
Museu de Évora
Apesar dos mais variados nomes atribuídos a esta cadeira, há um aspecto que os une a todos, a sua peculiar forma. A cadeira de escrever/pensar é uma peça única e desenhada especificamente para o seu propósito, por volta do século XVIII. Proporcionando um mais correcto e cómodo apoio dos braços (aos escritores), através da colocação dos braços a uma maior altura, e uma melhor mobilidade das pernas, possibilitada pela forma arredondada do assento. O que a torna um modelo original é o facto de ter o seu baixo espaldar/costas apoiado sobre três pernas, e não somente em dois como na generalidade das cadeiras. Tem ainda alguns pormenores bem interessantes como, não possuir ilhargas entre as suas pernas e os seus pés serem geralmente muito trabalhados em forma de garra, nome próprio para alguns pés de cadeira com esse formato.
Madeira de Nogueira, Seda lavrada
Meados do século XVIII
Museu de Évora
Apesar dos mais variados nomes atribuídos a esta cadeira, há um aspecto que os une a todos, a sua peculiar forma. A cadeira de escrever/pensar é uma peça única e desenhada especificamente para o seu propósito, por volta do século XVIII. Proporcionando um mais correcto e cómodo apoio dos braços (aos escritores), através da colocação dos braços a uma maior altura, e uma melhor mobilidade das pernas, possibilitada pela forma arredondada do assento. O que a torna um modelo original é o facto de ter o seu baixo espaldar/costas apoiado sobre três pernas, e não somente em dois como na generalidade das cadeiras. Tem ainda alguns pormenores bem interessantes como, não possuir ilhargas entre as suas pernas e os seus pés serem geralmente muito trabalhados em forma de garra, nome próprio para alguns pés de cadeira com esse formato.
SELA DE SENHORA
Sela de montar
Cabedal e couro
Data indefinida (provavelmente Século XVII)
Museu de Carruagens
Não sendo uma cadeira como todas as outras, também este objecto, denominado de sela, serve para sentar. Mais propriamente para que as senhoras se sentassem quando montavam a cavalo. Senão, vejam-se os desenhos floridos gravados na zona frontal da sela, o conforto do próprio assento em relação a uma sela normal ou ainda a falta de estribos para colocar os pés, já que as damas e senhoras de antigamente montavam o cavalo de lado, derivado ao seu elevado estatuto ou simplesmente às vestes da altura, enormes vestidos com um sem número de folhos. Outro pormenor que salta à vista são as duas pegas na zona superior da sela, que serviam essencialmente para ajudar a senhora a subir ao cavalo e posteriormente a auxiliá-la a suster-se em cima do mesmo aquando das galopadas.
Cabedal e couro
Data indefinida (provavelmente Século XVII)
Museu de Carruagens
Não sendo uma cadeira como todas as outras, também este objecto, denominado de sela, serve para sentar. Mais propriamente para que as senhoras se sentassem quando montavam a cavalo. Senão, vejam-se os desenhos floridos gravados na zona frontal da sela, o conforto do próprio assento em relação a uma sela normal ou ainda a falta de estribos para colocar os pés, já que as damas e senhoras de antigamente montavam o cavalo de lado, derivado ao seu elevado estatuto ou simplesmente às vestes da altura, enormes vestidos com um sem número de folhos. Outro pormenor que salta à vista são as duas pegas na zona superior da sela, que serviam essencialmente para ajudar a senhora a subir ao cavalo e posteriormente a auxiliá-la a suster-se em cima do mesmo aquando das galopadas.
CADEIRA TRABALHADA
Cadeira
Madeira de Carvalho, Veludo e Pregaria de Latão
Primeira metade do Séc. XVII
Museu de Évora
De uma maneira histórica a data da invenção da cadeira pode ser de tempos primordiais. Porém, só a partir da Idade Média começou a dar-se-lhe um valor mais elevado, sendo usadas pelas famílias nobres e abastadas numa altura em que só esta elite possuía mobiliário, o qual era geralmente composto por poucas peças, para assim mais facilmente ser transportado pelas famílias quando estas se deslocavam de um local para outro. Estas cadeiras eram bastante "fortes", com pernas e espaldar bem consistentes e sempre com alguns pequenos trabalhos, nas trempes (travessas) ou nos joelhos.
Madeira de Carvalho, Veludo e Pregaria de Latão
Primeira metade do Séc. XVII
Museu de Évora
De uma maneira histórica a data da invenção da cadeira pode ser de tempos primordiais. Porém, só a partir da Idade Média começou a dar-se-lhe um valor mais elevado, sendo usadas pelas famílias nobres e abastadas numa altura em que só esta elite possuía mobiliário, o qual era geralmente composto por poucas peças, para assim mais facilmente ser transportado pelas famílias quando estas se deslocavam de um local para outro. Estas cadeiras eram bastante "fortes", com pernas e espaldar bem consistentes e sempre com alguns pequenos trabalhos, nas trempes (travessas) ou nos joelhos.
UMA CADEIRA PARA PASSEAR
Cadeirinha
Madeira de Casquinha e Pinho e Tela pintada
Meados do Séc. XVIII
Museu de Carruagens
As normas de convivência variam muito com o passar dos anos, e a afirmação do estatuto diferenciado das classes sociais mais altas, os nobres ou ricos, marcou muitas das atitudes que hoje julgamos ultrapassadas. As carruagens, como aliás os carros modernos, eram uma forma de transporte e também uma forma de marcar uma distinção social. Em ambos os lados da cadeirinha eram colocadas abraçadeiras de ferro, nas quais entravam dois varais, para que pudesse ser erguida e conduzida pela força de braços, inicialmente por escravos e posteriormente por empregados. À frente dos pés estão colocadas tábuas salientes para assim os apoiar, normalmente tinham janelas de correr na vertical ou toldo, para proteger do Sol e também para não ser directamente reconhecido quem nela se sentava.
Madeira de Casquinha e Pinho e Tela pintada
Meados do Séc. XVIII
Museu de Carruagens
As normas de convivência variam muito com o passar dos anos, e a afirmação do estatuto diferenciado das classes sociais mais altas, os nobres ou ricos, marcou muitas das atitudes que hoje julgamos ultrapassadas. As carruagens, como aliás os carros modernos, eram uma forma de transporte e também uma forma de marcar uma distinção social. Em ambos os lados da cadeirinha eram colocadas abraçadeiras de ferro, nas quais entravam dois varais, para que pudesse ser erguida e conduzida pela força de braços, inicialmente por escravos e posteriormente por empregados. À frente dos pés estão colocadas tábuas salientes para assim os apoiar, normalmente tinham janelas de correr na vertical ou toldo, para proteger do Sol e também para não ser directamente reconhecido quem nela se sentava.
UMA CADEIRA PARA REZAR
Genuflexório
Madeira de Nogueira e Veludo
Meados do Séc. XVIII
Basílica Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção - Sé de Évora
Pedir perdão a Deus, suplicar por um favor ou simplesmente agradecer por algo com uma oração, são actos que não se podem ter de qualquer maneira. Por isso ajoelha-mo-nos, como forma de submissão a uma vontade superior. A cadeira que nos recebe para rezar tem o nome específico de Genuflexório, porém é usualmente denominado de "banco de reza". Geralmente encontram-se em capelas e igrejas, podendo no entanto serem encontradas em outro qualquer local de culto a Deus. O Genuflexório, ao contrário de cadeiras normais em que nos sentamos e encostamos, é utilizado de joelhos, que se colocam no estrado almofadado em baixo, enquanto os braços são assentes no encosto superior também ele almofadado.
Madeira de Nogueira e Veludo
Meados do Séc. XVIII
Basílica Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção - Sé de Évora
Pedir perdão a Deus, suplicar por um favor ou simplesmente agradecer por algo com uma oração, são actos que não se podem ter de qualquer maneira. Por isso ajoelha-mo-nos, como forma de submissão a uma vontade superior. A cadeira que nos recebe para rezar tem o nome específico de Genuflexório, porém é usualmente denominado de "banco de reza". Geralmente encontram-se em capelas e igrejas, podendo no entanto serem encontradas em outro qualquer local de culto a Deus. O Genuflexório, ao contrário de cadeiras normais em que nos sentamos e encostamos, é utilizado de joelhos, que se colocam no estrado almofadado em baixo, enquanto os braços são assentes no encosto superior também ele almofadado.
Identificando as cadeiras...
Esta imagem relata o momento em que a mediadora Renata apresenta a cadeira trabalhada aos alunos.
UMA CADEIRA SUPERIOR

Cadeira de Braços
Madeira de Nogueira, Couro e pregaria de Latão
Inicio do Séc. XVIII
Museu de Évora
Cadeira imponente de braços encurvados, costas e assentos de couro lavrado fixado com pregaria grossa de latão dourado, prumadas e trempes torneadas e a testeira entalhada em forma de palmeta. A profusão de elementos decorativos e o brasão de armas de Cristovão Salema Correia, antigo cónego da Sé de Évora, procuram exaltar as qualidades do proprietário. Uma figura importante na cidade, foi inquisidor e capelão do rei D. João V. Só os nobres, pertencentes à classe superior da sociedade, possuíam carta de brasão de armas atribuídas pelo próprio Rei. Mesmo desocupadas, as cadeiras faziam parte desse discurso de superioridade, dignidade e educação. Era preciso saber sentar nestas cadeiras, as costas direitas, o ar altivo, as mãos pousadas com firmeza sobre os braços. A elegância e imponência dos móveis rima com distinção social.
Montando cadeiras...

A escola Centro Infantil Irene Lisboa foi a primeira a participar da atividade educativa do Museu de Évora, no dia 30 de outubro deste mesmo ano. Com 18 alunos do ensino pré -primário, de 2 a 5 anos, estes participaram atentos as novas informações que lhes eram passadas.
Esta imagem exibi o momento em que o mediador Ricardo apresenta a última etapa da atividade, a montagem das cadeiras. A partir de um modelo as crianças montam as cadeiras.
UMA CADEIRA MAL CHEIROSA

Vaso de Noite
Cerâmica vidrada
Viana do Alentejo (?), início do Séc. XIX
Celeiro Comum - Centro de Artes e Ofícios Tradicionais
O vaso de noite serve, como todos sabemos, para aquelas aflições de toda a gente. Eram utilizadas antigamente, quando as habitações não tinham água canalizada nem esgotos, ou seja, não existiam casas de banho. Normalmente estas peças eram feitas de barro e, por vezes, vidradas, para o impermeabilizar e facilitar a sua limpeza. No caso deste penico, o seu interior é vidrado cor de mel sendo o exterior em verde cobre. Eram peças resistentes e bem pesadas, para aguentar o peso dos seus utilizadores que sentavam para fazer “cocó e xixi”. As asas laterais eram utilizadas para carregar o penico, e no caso das classes mais abastados, eram os criados que deveriam fazer os despejos dos mesmos... Que nojo!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
UMA CADEIRA DE SAUDADES

Cadeira Alentejana
Madeira de nogueira e buinho
Finais do XIX
Celeiro Comum Colecção António Charrua Faustino
Há cadeiras que são feitas para guardar a memória de tempos passados. Essa cadeira pintada evoca, nas cores e nos materiais, a simplicidade da vida rural. No século XX, a sociedade portuguesa sofre uma modificação profunda com a deslocação das populações do campo para a cidade. Novos hábitos, uma vida social mais complexa, muitas obrigações e compromissos, fazem-nos algumas vezes procurar o conforto de um passado que já não volta. Quando sentamos nessa cadeira, sentamos sobre valores como a simplicidade, a rectidão moral, a franqueza do trato, a honestidade, todos os valores que acreditamos ausentes da vida urbana e presentes na vida rural. Nos finais do século XIX, havia, em Évora, inúmeras marcenarias e pintores de mobílias e os turistas de visita não deixavam de levar essa lembrança da cidade.
Madeira de nogueira e buinho
Finais do XIX
Celeiro Comum Colecção António Charrua Faustino
Há cadeiras que são feitas para guardar a memória de tempos passados. Essa cadeira pintada evoca, nas cores e nos materiais, a simplicidade da vida rural. No século XX, a sociedade portuguesa sofre uma modificação profunda com a deslocação das populações do campo para a cidade. Novos hábitos, uma vida social mais complexa, muitas obrigações e compromissos, fazem-nos algumas vezes procurar o conforto de um passado que já não volta. Quando sentamos nessa cadeira, sentamos sobre valores como a simplicidade, a rectidão moral, a franqueza do trato, a honestidade, todos os valores que acreditamos ausentes da vida urbana e presentes na vida rural. Nos finais do século XIX, havia, em Évora, inúmeras marcenarias e pintores de mobílias e os turistas de visita não deixavam de levar essa lembrança da cidade.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
VER DE NOVO
Sentar é um privilégio dos Deuses e Imperadores. Esse berço de ouro onde nasceram as primeiras cadeiras passa desapercebido perante a onipresença de um objecto que nos é tão próximo. Sentamos para trabalhar, comer, conversar com os amigos, relaxar, conduzir, ler e uma infinidade de outras actividades.
Esquecidos estão também os marceneiros, esses sapientes produtores de cadeiras, uma injustiça quando Évora, nos princípios do século XX, tinha nas cadeiras pintadas a sua principal actividade artesanal, e possuía diversas lojas especializadas ao dispor dos turistas que a visitavam.
Nessa visita guiada, que além das peças do Museu de Évora, inclui as do Celeiro Comum, Centro de Artes e Ofícios Tradicionais, as da Sé de Évora e as do Museu das Carruagens, iremos voltar a questionarmos sobre a forma, os materiais utilizados e as ideias associadas às cadeiras. Afinal sentar pode ser um acto comum, mas também é um acto social pleno de significado.
Esquecidos estão também os marceneiros, esses sapientes produtores de cadeiras, uma injustiça quando Évora, nos princípios do século XX, tinha nas cadeiras pintadas a sua principal actividade artesanal, e possuía diversas lojas especializadas ao dispor dos turistas que a visitavam.
Nessa visita guiada, que além das peças do Museu de Évora, inclui as do Celeiro Comum, Centro de Artes e Ofícios Tradicionais, as da Sé de Évora e as do Museu das Carruagens, iremos voltar a questionarmos sobre a forma, os materiais utilizados e as ideias associadas às cadeiras. Afinal sentar pode ser um acto comum, mas também é um acto social pleno de significado.
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